Ideologia dos medos
Sentir medo é normal. Não enfrentá-lo é mais normal ainda. Esse sentimento é necessário. Na medida certa, ele evita desastres e arrependimentos. Superar o medo é o ideal, mas se não for possível dominá-lo, manter relações estreitas com ele é vital.
Os medos de cada sociedade estão na sua formação histórica e distribuídos no tempo. No mundo contemporâneo, todos ou quase todos, tem o medo da morte “soldado” na personalidade ao nascer. Diferentemente do período clássico, aonde percebemos um povo grego despido dessa preocupação. O medo arrebatador de hoje, pode não ser o do amanhã.
Os sistemas de produção também geram fobias. No palco do Capitalismo informacional, por exemplo, aparecem os pânicos sociais, assuntos semanais nos meios de comunicação. Apoiada pelo sistema, a ciência, na mesma proporção em que desvenda antigos medos, transformando esses em piada, indiretamente resgata e cria tantos outros.
As fobias conseguem frenar grandes felicidades e descobertas. O apaixonado que não revela seus sentimentos e o cientista que não quer ser nomeado de louco, e tudo por medo. Assim surgem os arrependidos e os não vitoriosos.
Sem dúvida as fobias são necessárias. São sentimentos e não podem ser desprezados. O que não pode surgir é o “medo de ter medo”, esse paralisa qualquer individuo. No decorrer da nossa formação descobrimos, inconscientemente, que os medos não existem, e sim, imposições sócias que nos dominam, tornando o medo ideologicamente pessoal.
Matheus Acácio.
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