Blog do Luis Felipe Costa

Cotidiano. Textos próprios. Reflexão sobre juventude, política e cidadania.

sábado, 19 de junho de 2010

Sem José !

Eu começo esse meu texto com um trecho do poema JOSÉ de nosso dileto poeta Carlos Drumond de Andrade :

E agora , José?
A festa acabou
A luz apagou
O povo sumiu
A noite esfriou
e agora, José? ...


Utilizo deste poema, que coinscide com o nome do principal escritor contemporâneo da língua portuguesa, único lusófono a ser premiado com o Nobel de Literatura, em 1998; para expressar a perda irreparável para o mundo pensante.
Como descreve Drumond, há uma evasão de situações que caracterizam o seu personagem e por associação, à morte deste grande expoente na critica ao homem moderno. Apesar de ter uma visão apenas como leitor, inspiro-me com os textos de Saramago a não ser pessimista, mas aprendo o modo de analisar um mundo péssimo.
José de Sousa Saramago nasceu em Azinhaga, na provícia do Ribatejo, Portugal. Porém viveu o resto de sua vida em Lanzarote, nas ilhas Canárias, Espanha.
Conhecido por seu ateísmo e iberismo, criou grandes litígios com a Igreja Católica, principalmente com o lançamento de O envangelho segundo Jesus Cristo. José Saramago defendia o Comunismo e dizia ser convicto com a ideologia do partido.
Mas seria por de mais desmereçedor lembrá-lo apenas por suas convicções. O autor tem de ser rememorado por seu profundo estudo do homem e os dilemas contemporâneos, um ser sem valores, e quando os têm , valoriza o material em detrimento do social.
Minhas poucas leituras, infelizmente, de sua autoria, se tornaram prediletas em minha estante. Ensaio sobre a cegueira e CAIM além da força da descrição e do conteúdo para reflexão, são ótimas indicações para aqueles que utilizam os livros para desenvolverem a crítica social aos modelos excludentes da sociedade.
Finalmente, só quero expressar minha profunda tristeza com a morte de um dos meus autores preferidos. Parafraseando o clichê usado por Fernado Meirelhes, diretor do fime homônimo Ensaio sobre a cegueira, digo: O mundo ficou mais cego e burro com a morte de José Saramgo. Um Cidadão do Universo.

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